terça-feira, abril 03, 2007

Discordância de Gêneros

Eu bem que tentei explicar minhas razões, mas eu só falo japonês e você só entende grego. Além do mais, você estava procurando uma mulher e, segundo você, eu sou homem, e assim o pássaro do amor não podia pousar no nosso ninho.

Não entendo porque, mas, mesmo assim, quando eu fui embora, magoada pelas palavras que, mesmo em grego, conseguiram ferir o meu coração de olhos puxados, senti a tua corda me puxando de volta. E voltei. Não sei por que. Não me pergunte pela explicação de coisas que não se explica, mas eu voltei. Eu sempre volto.

Foi só um beijo e já começou outra guerra. De tanque blindado e boina camuflada, você passava por cima do meu coração aflito, dizendo que mulheres como eu, que por dentro são homens, merecem que os homens de verdade, como você, passem por cima delas com os seus atributos masculinos, para que elas aprendam quem manda. E eu olhava perplexa a tua performance, sabendo muito bem que você só fazia aquilo pra disfarçar que dentro de você existe uma mulher que é mais frágil do que eu.

Levantei a bandeira branca e você me deu mais um beijo, pra em seguida haver mais uma batalha, e eu já estava tão cansada dessa guerra que nem procurei saber os seus motivos. Me deixei levar pra outras bandas, por outros beijos, pra outras camas, pra descansar até você voltar. Você sempre volta.

Você voltou, afinal. Finalmente disse pra si mesmo, enquanto tentava me explicar, que havia dentro de você uma mulher sensível que estava apaixonada pelo homem que há dentro de mim. Uma mulher séria, que queria se casar, e sentia-se usada pelo homem dentro de mim, que só pensava em se divertir. E que o homem que você é sentia medo dessa mulher apaixonada dentro de você. Me pediu pra deixar de ser homem, eu fiquei de pensar. Então você saiu flutuando numa nuvem e eu não te chamei de volta. Será que você volta?

1 Comments:

At 12:56 PM, Anonymous Anônimo said...

Interessante...
Será??? será?? será?

Muito bom também Peeeeeity!

 

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