Roedores
Você me expulsa feito rato na soleira da sua porta e eu saio tonta, roendo minha mágoa pelas galerias do esgoto, até em casa. Abro a porta com a sensação de que dentro de mim falta algo, mas não sei se tenho fome ou tenho sede, se o que sinto é frio ou se é calor. Corro para a cozinha e ponho meu coração, inconsciente, no microondas, congelado que foi pela tua frieza. Tento salvar o que resta do meu amor por você.
Pensa duas vezes antes de me envenenar. Quando quiseres armar tua ratoeira, leva em conta que ela captura e fere um coração que, com doçura, te abriga. Contém a tua fúria por um segundo apenas, enquanto eu te beijo, para eu seja um só espírito contigo, sorrindo, ao invés de um fantasma solitário que chora, como agora.
Pensa duas vezes antes de me envenenar. Quando quiseres armar tua ratoeira, leva em conta que ela captura e fere um coração que, com doçura, te abriga. Contém a tua fúria por um segundo apenas, enquanto eu te beijo, para eu seja um só espírito contigo, sorrindo, ao invés de um fantasma solitário que chora, como agora.

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