terça-feira, fevereiro 06, 2007

Roedores

Você me expulsa feito rato na soleira da sua porta e eu saio tonta, roendo minha mágoa pelas galerias do esgoto, até em casa. Abro a porta com a sensação de que dentro de mim falta algo, mas não sei se tenho fome ou tenho sede, se o que sinto é frio ou se é calor. Corro para a cozinha e ponho meu coração, inconsciente, no microondas, congelado que foi pela tua frieza. Tento salvar o que resta do meu amor por você.

Pensa duas vezes antes de me envenenar. Quando quiseres armar tua ratoeira, leva em conta que ela captura e fere um coração que, com doçura, te abriga. Contém a tua fúria por um segundo apenas, enquanto eu te beijo, para eu seja um só espírito contigo, sorrindo, ao invés de um fantasma solitário que chora, como agora.