segunda-feira, fevereiro 04, 2013

O beijo da vida

O lírio da chuva sorriu feliz quando a primeira gota lhe explodiu na face, derramando sobre suas folhas a água que o céu lhe mandava. Assim também foi com a orquídea, não sem alguma preocupação se ele não estava exagerando na quantidade. A samambaia, no seu canto, lutava com os golpes do vento em suas delicadas folhas, mas parecia que o exercício lhe fazia bem, pois sempre dava novos brotos quando vinha a calmaria. Era sua bonança, após a tempestade.

Aquele era o beijo molhado com que o céu, pai cuidadoso, beijava a mãe terra, trazendo à vida todos os seres, matando a sede e a fome de todos os seus filhos.

O jardineiro, pela janela, observava com alegria o espetáculo. E esperava, não sem alguma ansiedade, pelo dia em que a bondade do céu viesse regar o jardim que trazia em seu coração e, com seu beijo bondoso, trazer à vida as sementes dos sonhos que tão diligentemente cultivava.