Alegria Descarada
Todo carnaval era igual, pelo menos foi assim enquanto eu me sentia criança. Eu mesma escolhia, desenhava e ajudava minha tia a fazer minhas fantasias. Criança sonhadora como eu era, encontrava no carnaval a oportunidade de vestir meus sonhos. Fui Jane, foi odalisca, fui bailarina, fui vampira, fui coelha. A cada carnaval tinha uma nova identidade, uma personagem para representar durante aqueles dias onde toda alegria era permitida, mesmo a mais descarada.
De manhã, debaixo do sol forte que ainda era filtrado pela camada de ozônio e não dava câncer, ia à praia com meus primos, que também passavam as férias na casa da nossa avó. Só eu de menina no meio de três meninos. Fazíamos buracos na areia, cobríamos com jornal e esperávamos sentados que alguém caísse lá dentro para nossa diversão. Quando os tios não estavam olhando, aproveitávamos para falar palavrões cabeludos e inventar músicas de porcarias. Nessa época, eram os crimes mais graves que podíamos cometer. Não que não fossemos crianças bem educadas. Ao contrário, respeitávamos os mais velhos e jogávamos lixo na lixeira, e olha que naquela época a Natureza ainda nem estava por um fio.
Amigos eu tinha aos montes: adultos, crianças, bichos, árvores, reais, imaginários, tanto fazia.
De manhã, debaixo do sol forte que ainda era filtrado pela camada de ozônio e não dava câncer, ia à praia com meus primos, que também passavam as férias na casa da nossa avó. Só eu de menina no meio de três meninos. Fazíamos buracos na areia, cobríamos com jornal e esperávamos sentados que alguém caísse lá dentro para nossa diversão. Quando os tios não estavam olhando, aproveitávamos para falar palavrões cabeludos e inventar músicas de porcarias. Nessa época, eram os crimes mais graves que podíamos cometer. Não que não fossemos crianças bem educadas. Ao contrário, respeitávamos os mais velhos e jogávamos lixo na lixeira, e olha que naquela época a Natureza ainda nem estava por um fio.
Amigos eu tinha aos montes: adultos, crianças, bichos, árvores, reais, imaginários, tanto fazia.
Mas o maior barato do carnaval eram mesmo os bailes infantis onde o pai me levava. Ao ouvir o som do samba, desligava-me do mundo, entrava em transe. Aquele som fazia eco dentro do seu ser e, como um bonequinho a quem tivessem acabado de dar corda, saía requebrando com toda empolgação, cantando afinado junto com a caixa de som. Quando o ritmo era mais forte e o requebrado não era suficiente para dar vazão àquela excitação, saía a dar voltas pelo salão, em pulinhos compassados, feito uma cabritinha, gritando as marchinhas o mais alto que conseguia, até que as batidas do meu coração se acalmassem um pouco. Pouco me importava onde eu estava e se alguém me olhava. Acho que dos cinco aos doze anos nenhuma criança se divertiu mais no carnaval do que eu.
Naquele época eu ainda não sabia o quanto, mas sabia que era feliz. O carnaval ainda existe, mas agora eu carrego comigo as preocupações da vida adulta e o samba não dá mais conta de me desligar desse mundo caótico em que eu vivo. Hoje em dia, quando lembro dos carnavais da minha infância, choro de felicidade, quase sentindo na boca o gostinho de guaraná e chiclete e pensando naquela criança sapeca e engraçada que ainda hoje mora num cantinho dentro de mim. Por dentro eu continuo sendo a mesma pessoa mas, na minha idade, alegria desse tamanho não é mais permitida.
Naquele época eu ainda não sabia o quanto, mas sabia que era feliz. O carnaval ainda existe, mas agora eu carrego comigo as preocupações da vida adulta e o samba não dá mais conta de me desligar desse mundo caótico em que eu vivo. Hoje em dia, quando lembro dos carnavais da minha infância, choro de felicidade, quase sentindo na boca o gostinho de guaraná e chiclete e pensando naquela criança sapeca e engraçada que ainda hoje mora num cantinho dentro de mim. Por dentro eu continuo sendo a mesma pessoa mas, na minha idade, alegria desse tamanho não é mais permitida.

1 Comments:
Excelente!!!
Beijos!
Adivinha: !!!!!!!!!!!!!
Piu
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